PRP para cicatriz de acne: o que a ciência mostra sobre combinar com microagulhamento

Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-09.

PRP para cicatriz de acne é uma das combinações mais buscadas por quem já controlou a acne ativa, mas continua convivendo com as marcas deprimidas que ela deixou no rosto. O plasma rico em plaquetas (PRP) vem sendo usado sozinho ou associado ao microagulhamento, e a dúvida mais comum de quem pesquisa o assunto é direta: combinar os dois realmente faz diferença, ou o PRP isolado já entrega o resultado? Um estudo clínico comparativo publicado em 2024 ajuda a responder isso com dado real, não com opinião. Se você está mapeando as opções antes de decidir, vale conhecer também o panorama completo do tratamento de cicatriz de acne.

⚠️ Importante: a Injectors NÃO realiza PRP (Plasma Rico em Plaquetas) nesta clínica.

O CFM ainda não libera o uso do PRP para fins estéticos na prática clínica de rotina no Brasil — hoje o procedimento é permitido apenas em caráter experimental/de pesquisa. Mesmo com outras clínicas oferecendo PRP, a Injectors optou por não realizá-lo enquanto não houver esse respaldo regulatório. As informações científicas a seguir têm caráter educativo.

PRP para cicatriz de acne
Figura de artigo científico — participante do Grupo I (PRP isolado), antes e após 3 meses de tratamento, ilustrando evidência do estudo clínico — não é promessa de resultado individual. Resultados variam de paciente para paciente e dependem de avaliação médica. Fonte: Manishaa V, Senthil Murugan P. Cureus, 2024. DOI: 10.7759/cureus.60957. Disponível em PMC.

O que é o PRP e por que se fala dele na cicatriz de acne

O PRP é obtido a partir de uma amostra de sangue do próprio paciente, centrifugada para concentrar as plaquetas — células ricas em fatores de crescimento envolvidos na cicatrização e na produção de colágeno. Aplicado por injeções intradérmicas na área da cicatriz, o objetivo é estimular a própria pele a se remodelar de dentro para fora, um processo gradual, não um “apagador” instantâneo de marca.

Cicatriz de acne atrófica (aquela que forma uma depressão na pele, seja em V, em U ou em caixa) resulta de uma perda de colágeno durante o processo inflamatório da acne. Por isso, tratamentos que estimulam nova produção de colágeno — como o PRP e o microagulhamento — fazem sentido biológico como estratégia, isolados ou combinados. A pergunta que o estudo a seguir tentou responder foi justamente se juntar os dois potencializa esse estímulo.

O estudo que comparou PRP isolado com PRP + microagulhamento

O estudo, publicado em 2024 na revista Cureus, foi um ensaio comparativo prospectivo e duplo-cego com 30 pacientes com cicatrizes atróficas de acne no rosto, divididos em dois grupos de 15. O Grupo I recebeu apenas injeções intradérmicas de PRP; o Grupo II recebeu PRP associado a microagulhamento (a técnica de agulhas finas que cria microcanais na pele, potencializando a penetração dos fatores de crescimento do plasma). Cada grupo passou por 3 sessões, com intervalo de 1 mês entre elas, e foi reavaliado ao longo de 3 meses usando a escala de Goodman-Baron — uma régua clínica validada para medir a gravidade da cicatriz de acne.

É um desenho de estudo relativamente robusto para o tema: grupos comparáveis, protocolo padronizado dentro de cada braço e avaliação por uma escala clínica reconhecida. A limitação está no tamanho da amostra (30 pacientes) e no seguimento relativamente curto (3 meses), pontos que os próprios autores do artigo citam como restrição dos achados.

PRP para cicatriz de acne combinado com microagulhamento
Figura de artigo científico — participante do Grupo II (PRP associado a microagulhamento), antes e após 3 meses de tratamento, ilustrando evidência do estudo clínico — não é promessa de resultado individual. Resultados variam de paciente para paciente e dependem de avaliação médica. Fonte: Manishaa V, Senthil Murugan P. Cureus, 2024. DOI: 10.7759/cureus.60957. Disponível em PMC.

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Resultados: qual grupo teve cicatrizes menores

Os dois grupos melhoraram ao longo do estudo — isso é importante dizer, porque o PRP isolado não ficou parado. No primeiro mês, a diferença entre os grupos ainda não era estatisticamente relevante: os dois protocolos vinham evoluindo de forma parecida. A partir do segundo mês, porém, o grupo que combinou PRP com microagulhamento passou a apresentar escores de cicatriz significativamente menores (mais próximos de “sem cicatriz” na escala de Goodman-Baron) do que o grupo de PRP isolado.

Essa vantagem do grupo combinado se manteve até o fechamento do estudo, no terceiro mês. Em outras palavras: o PRP para cicatriz de acne funciona sozinho, mas os dados desse estudo sugerem que associá-lo ao microagulhamento acelera e potencializa a melhora, com uma diferença que só ficou clara a partir do segundo mês de acompanhamento — reforçando que resultado de tratamento de cicatriz não costuma ser imediato.

Segurança: houve complicações nos grupos?

Nenhum dos dois grupos registrou complicações ou efeitos adversos relevantes durante os 3 meses de acompanhamento — um dado favorável tanto para o PRP isolado quanto para a combinação com microagulhamento. Isso é coerente com o perfil de segurança já conhecido dessas duas técnicas: por usarem o próprio sangue do paciente (no caso do PRP) e microlesões controladas (no caso do microagulhamento), o risco de reação alérgica ou rejeição é baixo.

Dito isso, todo procedimento com agulha carrega desconforto esperado durante a aplicação e pode haver vermelhidão e sensibilidade na pele nos dias seguintes — reação transitória, comum a esse tipo de estímulo, e não uma complicação em si. Como em qualquer procedimento estético, o histórico de saúde, medicações em uso e o tipo de pele de cada paciente são avaliados antes de indicar o protocolo, para minimizar riscos.

O que a ciência recente acrescenta sobre PRP e microagulhamento

Uma revisão de escopo publicada também em 2024, no Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences, reuniu 14 estudos (incluindo 4 ensaios clínicos randomizados) sobre a combinação de microagulhamento com PRP para cicatriz de acne. A leitura conjunta desses trabalhos vai na mesma direção do estudo do Cureus: a combinação tende a superar o microagulhamento isolado em três frentes — deposição de colágeno, aparência da pele e satisfação do paciente.

Por que isso importa para quem está decidindo o tratamento? Porque não é só um estudo isolado dizendo isso — é um padrão que se repete quando vários trabalhos independentes são analisados em conjunto, o que dá mais peso à ideia de que juntar PRP e microagulhamento tende a entregar mais do que cada técnica sozinha.

O limite importante dessa evidência: os próprios autores da revisão destacam que ainda não existe um protocolo padronizado de preparo do PRP — concentração de plaquetas, número de sessões e tempo de centrifugação variam muito de estudo para estudo. Isso dificulta comparar resultados com precisão entre clínicas e trabalhos diferentes, e reforça por que a técnica exata usada em cada consulta pesa tanto quanto a indicação em si.

Para quem o PRP para cicatriz de acne é indicado

O PRP para cicatriz de acne, isolado ou combinado com microagulhamento, pode ser uma opção para quem tem cicatrizes atróficas leves a moderadas e busca melhora gradual da textura da pele, sempre dentro de uma estratégia avaliada individualmente. O tipo de cicatriz (em V, em U ou em caixa), a profundidade, o histórico de pele e a expectativa realista de resultado são fatores decididos em consulta — o PRP não apaga cicatriz profunda sozinho, e normalmente faz parte de um plano que pode incluir outras tecnologias, como laser fracionado ou preenchedores, dependendo do caso.

Vale lembrar que os resultados descritos aqui vêm de uma amostra pequena (30 pacientes) e seguimento curto (3 meses) — promissores, mas que ainda pedem confirmação em estudos maiores e com acompanhamento mais longo. Na prática clínica, essa combinação costuma entrar no mesmo raciocínio usado para indicar o microagulhamento com dermatologista, avaliando caso a caso se vale associar o PRP para potencializar o estímulo de colágeno.

Antes de decidir qual tratamento é ideal para a sua cicatriz de acne, vale conversar com quem entende do assunto. Temos ambulatório especializado — agende sua avaliação.


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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.

Perguntas frequentes (FAQ)

PRP para cicatriz de acne funciona sozinho ou é preciso combinar com microagulhamento?

Em um estudo comparativo com 30 pacientes, o PRP isolado já promoveu melhora da cicatriz de acne, mas a partir do segundo mês o grupo que combinou PRP com microagulhamento apresentou resultados significativamente melhores, vantagem mantida até o terceiro mês de acompanhamento. Ou seja, o PRP para cicatriz de acne funciona sozinho, mas a combinação com microagulhamento tende a acelerar e potencializar o resultado — a melhor opção para cada caso depende de avaliação médica individual.

Quantas sessões de PRP são necessárias para tratar cicatriz de acne?

No estudo citado, cada grupo passou por 3 sessões, com intervalo de 1 mês entre elas, e a avaliação final ocorreu no terceiro mês. Na prática clínica, porém, o número de sessões varia conforme o tipo e a profundidade da cicatriz, o histórico de pele e a resposta individual de cada paciente — é o dermatologista quem define o protocolo mais adequado na avaliação.

O PRP para cicatriz de acne dói? Existe tempo de recuperação?

No estudo, nenhum dos dois grupos (PRP isolado e PRP combinado com microagulhamento) registrou complicações ou efeitos adversos relevantes ao longo do acompanhamento. Ainda assim, é esperado algum desconforto durante a aplicação das injeções e, quando associado ao microagulhamento, vermelhidão e sensibilidade transitórias na pele nos dias seguintes — uma reação comum a esse tipo de estímulo, não uma complicação. O tempo de recuperação varia de pessoa para pessoa e é discutido na consulta.

PRP substitui o microagulhamento no tratamento de cicatriz de acne?

Não necessariamente. Uma revisão de escopo de 2024, que reuniu 14 estudos sobre o tema, indica que a combinação de PRP com microagulhamento tende a superar o microagulhamento isolado em deposição de colágeno, aparência da pele e satisfação do paciente. Isso sugere que o PRP funciona melhor como reforço do microagulhamento do que como substituto — mas a própria revisão aponta que ainda falta um protocolo padronizado de preparo do PRP entre os estudos, o que pede avaliação individualizada em cada caso.

Quando aparecem os primeiros resultados do PRP combinado com microagulhamento?

No estudo comparativo, no primeiro mês a diferença entre PRP isolado e PRP combinado com microagulhamento ainda não era estatisticamente relevante — os dois grupos vinham evoluindo de forma parecida. Foi a partir do segundo mês que o grupo combinado passou a se destacar, com escores de cicatriz significativamente menores, vantagem que se manteve até o terceiro mês, quando o estudo foi encerrado. Isso reforça que resultado de tratamento de cicatriz de acne é gradual, não imediato.

Referências científicas

  • Manishaa V, Senthil Murugan P. Evaluation of the Efficacy of Platelet-Rich Plasma Injections With and Without Microneedling for Managing Atrophic Facial Acne Scars: A Prospective Comparative Study. Cureus. 2024;16(5):e60957. DOI: 10.7759/cureus.60957. Disponível em PMC (acesso aberto).
  • Meghe SR, Madke B, Singh A, Kashikar Y, Rusia K. Microneedling with PRP for Acne Scars: A New Tool in Dermatologist Arsenal – A Scoping Review. Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences. 2024. DOI: 10.4103/jpbs.jpbs_804_23. Disponível em PMC (acesso aberto).