Laser CO2 fracionado para cicatriz de acne: o que mostra a ciência sobre a eficácia

Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-09.

Laser CO2 fracionado para cicatriz de acne é uma das combinações mais buscadas por quem convive com aqueles “buraquinhos” que a espinha deixou na pele e que a maquiagem disfarça, mas não apaga. É também uma das tecnologias mais estudadas para esse fim — e um ensaio clínico de 2023 comparou diretamente o laser CO2 fracionado com outra tecnologia de laser fracionado, o Er:YAG, para tentar responder o que todo paciente pergunta no consultório: qual dos dois realmente funciona melhor? Antes de entrar nos números, vale conhecer o panorama completo do tratamento de cicatriz de acne, já que o laser é uma entre várias estratégias possíveis.

O que é o laser CO2 fracionado e por que ele é usado em cicatriz de acne

O laser CO2 fracionado é um aparelho ablativo que aplica microfeixes de energia em pontos espaçados da pele, criando pequenas colunas de lesão controlada cercadas de tecido saudável. Essa “agressão” calculada dispara um processo de cicatrização que reorganiza e produz colágeno novo — exatamente o que uma cicatriz de acne atrófica (afundada) precisa para ficar mais rasa e menos visível. Por ser fracionado, o laser trata apenas uma fração da pele por sessão, o que reduz o tempo de recuperação em comparação aos lasers CO2 não fracionados usados no passado.

É por essa capacidade de remodelar colágeno em profundidade que o laser CO2 fracionado costuma aparecer entre as primeiras opções para cicatriz de acne mais marcada. Muitas clínicas recorrem a aluguel de laser de CO2 para oferecer o procedimento sem o custo de aquisição do equipamento, o que explica por que essa tecnologia está disponível em consultórios de portes variados.

O estudo que comparou laser CO2 e laser Er:YAG em cicatriz de acne

O estudo, publicado em 2023 na revista iraniana Advanced Biomedical Research, usou um desenho “split-face”: 30 pacientes com cicatriz de acne (idade média de 29,2 anos, todos de pele clara) receberam laser CO2 fracionado de um lado do rosto e laser Er:YAG fracionado do outro, ambos precedidos de subcisão (técnica de agulha que solta as aderências da cicatriz por baixo da pele). Esse formato elimina a variável de comparar pessoas diferentes, já que cada paciente serve como seu próprio controle.

Cada participante fez 3 sessões, com 4 semanas de intervalo, e foi reavaliado um mês depois da última aplicação. A melhora foi medida pela satisfação do próprio paciente e por dermatologistas independentes que avaliaram as fotos sem saber qual lado havia recebido qual laser — avaliação “cega”, que reduz o viés no resultado.

laser CO2 fracionado para cicatriz de acne
Figura de artigo científico ilustrando evidência de estudo comparativo split-face entre laser CO2 e laser Er:YAG fracionados em cicatriz de acne. Imagem meramente ilustrativa da literatura científica — não representa promessa de resultado individual. Resultados variam conforme avaliação médica, tipo de pele e tipo de cicatriz. Fonte: Mokhtari F, Safavi Z, Faghihi G, Asilian A, Shahmoradi Z. Advanced Biomedical Research, 2023;12:90. DOI: 10.4103/abr.abr_330_21.

Resultados: qual laser teve melhor resposta

Os resultados favoreceram claramente o laser CO2. Na avaliação dos médicos independentes, 33,3% dos pacientes tiveram melhora classificada como “boa” (51% a 75% de redução da cicatriz) no lado tratado com CO2, contra apenas 6,7% no lado com Er:YAG; e 10% alcançaram melhora “excelente” (acima de 76%) com o CO2, enquanto nenhum paciente chegou a esse patamar com o Er:YAG.

Na percepção dos próprios pacientes, o padrão se repetiu: 36,7% relataram melhora “boa” com o CO2, contra 10% com o Er:YAG. Perguntados com qual lado gostariam de continuar o tratamento, 92% escolheram o CO2 — sinal forte de preferência, mesmo sabendo que ele exige mais dias de vermelhidão e descamação na recuperação.

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Segurança e efeitos colaterais

Do lado da segurança, os efeitos colaterais foram leves e passageiros nos dois grupos — apenas 2 dos 30 pacientes apresentaram manchas escuras temporárias (hiperpigmentação pós-inflamatória), efeito conhecido desse tipo de laser e, na maioria dos casos, reversível. Ainda assim, a pele recém-tratada exige atenção redobrada: fotoproteção rigorosa, hidratação e evitar sol direto fazem parte do protocolo pós-laser.

Se você já sabe que vai fazer (ou já fez) o procedimento, publicamos separadamente um guia completo com os cuidados pós-procedimento do laser CO2 fracionado, com o passo a passo de cada etapa da recuperação.

O que a ciência recente acrescenta sobre o laser CO2 fracionado para cicatriz de acne

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2023 na revista Lasers in Medical Science reuniu 6 ensaios clínicos e 623 pacientes para investigar se associar um curativo de ácido hialurônico ao laser CO2 fracionado melhora os resultados no tratamento de cicatrizes atróficas de acne. O achado principal foi que essa combinação reduziu a pontuação na escala ECCA (que mede a gravidade da cicatriz), encurtou o tempo de cicatrização e aumentou a satisfação relatada pelos pacientes — além de menor incidência de hiperpigmentação do que com o laser CO2 isolado.

Vale a ressalva de sempre: é uma meta-análise reunindo estudos com metodologias diferentes entre si, o que pede cautela na generalização, e a decisão de associar ou não um curativo específico ao laser é do médico responsável, avaliando cada caso. De todo modo, o achado reforça que a técnica de aplicação e os cuidados peri-procedimento pesam tanto quanto a tecnologia escolhida.

Para quem o tratamento é indicado

O laser CO2 fracionado para cicatriz de acne costuma ser indicado para cicatrizes atróficas mais profundas — tipos em “V” (icepick), em “U” (boxcar) ou “em vagão” (rolling) — em pacientes que podem reservar dias para a recuperação (a pele fica vermelha e descama mais do que com tecnologias não ablativas). Fototipo e histórico de cicatrização também entram na equação, já que peles mais escuras têm maior risco de hiperpigmentação. O número de sessões e a combinação com outras técnicas, como a subcisão usada no próprio estudo, variam de pessoa para pessoa.

Por isso, quem já pesquisou a tecnologia e quer avançar costuma buscar uma avaliação de laser CO2 fracionado em São Paulo com um dermatologista, que é quem define, na prática, se essa é a melhor estratégia para o seu caso.

Toda indicação de laser depende de avaliação individual. Temos ambulatório especializado no tratamento de cicatriz de acne — chame agora nossa equipe no WhatsApp.


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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.

Perguntas frequentes (FAQ)

O laser CO2 fracionado para cicatriz de acne realmente funciona?

Em um estudo clínico “split-face” com 30 pacientes, o lado do rosto tratado com laser CO2 fracionado teve melhora avaliada como “boa” a “excelente” em até 43,3% dos casos, contra apenas 6,7% no lado tratado com laser Er:YAG, e 92% dos pacientes preferiram continuar o tratamento no lado do CO2. É um resultado promissor, mas cada cicatriz responde de um jeito, e só a avaliação de um dermatologista pode confirmar se o laser CO2 fracionado é a melhor opção para o seu caso.

Quantas sessões de laser CO2 fracionado são necessárias para cicatriz de acne?

No estudo citado, foram realizadas 3 sessões, com intervalo de 4 semanas entre elas. Na prática, porém, o número de sessões varia conforme a profundidade e o tipo da cicatriz, o fototipo da pele e a resposta individual ao tratamento. É o dermatologista quem define o protocolo mais adequado durante a avaliação.

Laser CO2 ou laser Er:YAG: qual é melhor para cicatriz de acne?

No estudo comparativo direto, o laser CO2 fracionado teve desempenho superior ao Er:YAG em todos os critérios avaliados — melhora clínica, satisfação do paciente e preferência de continuidade do tratamento. Em compensação, o CO2 costuma exigir mais dias de vermelhidão e descamação na recuperação do que o Er:YAG. A escolha entre as duas tecnologias depende do tipo de cicatriz e do tempo de recuperação que o paciente pode reservar, algo que só a avaliação médica define com precisão.

O laser CO2 fracionado pode escurecer a pele (hiperpigmentação)?

Existe esse risco, principalmente em peles mais escuras. No estudo citado, 2 dos 30 pacientes apresentaram hiperpigmentação pós-inflamatória, um efeito que costuma ser transitório e reversível com cuidados adequados. Parâmetros conservadores, fotoproteção rigorosa após a sessão e a experiência de quem aplica o laser são fatores que ajudam a reduzir esse risco.

Referências científicas

  • Mokhtari F, Safavi Z, Faghihi G, Asilian A, Shahmoradi Z. A Comparative Study on the Usefulness of Fractional CO2 and Fractional Er:YAG in Acne Scars: A Split-Face Trial. Advanced Biomedical Research. 2023;12:90. DOI: 10.4103/abr.abr_330_21. Disponível em PMC (acesso aberto).
  • Zhang et al. Efficacy of fractional CO2 laser therapy combined with hyaluronic acid dressing for treating facial atrophic acne scars: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Lasers in Medical Science. 2023;38(1):214. DOI: 10.1007/s10103-023-03875-8. Disponível em PubMed.