Preenchimento para cicatriz de acne: o que mostra um estudo de 2 anos com ácido hialurônico
Preenchimento para cicatriz de acne com ácido hialurônico é uma estratégia com respaldo científico real: um estudo publicado na revista Dermatologic Surgery acompanhou pacientes por dois anos e mostrou melhora significativa e duradoura nas cicatrizes atróficas — aquelas marcas afundadas que sobram depois de espinhas inflamadas, popularmente chamadas de “buraquinhos”. Poucos sabem que o mesmo gel de ácido hialurônico usado para preencher lábios ou olheiras também pode ser aplicado diretamente nessas depressões, e foi para medir esse efeito, e sua durabilidade, que os pesquisadores desenharam um estudo com um diferencial raro na área. Se você está mapeando as opções, vale conhecer todo o leque do tratamento de cicatriz de acne antes de decidir por uma técnica específica.
Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-09.
Sumário: Assuntos Abordados
- O que é o preenchimento para cicatriz de acne com ácido hialurônico
- Como foi feito o estudo de 2 anos
- Resultados: quanto a cicatriz melhorou
- Segurança e efeitos colaterais
- O que a ciência recente acrescenta sobre preenchimento para cicatriz de acne
- Para quem o preenchimento é indicado
- Perguntas frequentes
O que é o preenchimento para cicatriz de acne com ácido hialurônico
O preenchimento para cicatriz de acne com ácido hialurônico consiste em aplicar, com microinjeções bem superficiais, o mesmo gel usado em preenchimentos faciais diretamente dentro ou ao redor da depressão deixada pela cicatriz — preenchendo o volume perdido e suavizando a transição entre a pele normal e a área afundada. Se a cicatriz é, na prática, uma falta de volume naquele ponto da pele, devolver volume ali tende a disfarçar a irregularidade da superfície. É a mesma lógica de outras aplicações de preenchimento facial com ácido hialurônico, só que direcionada para dentro da cicatriz, não para o contorno do rosto.
Nem toda cicatriz de acne se comporta do mesmo jeito. As rolling scars (depressões arredondadas, causadas por bandas de fibrose puxando a pele por baixo) costumam responder bem ao preenchimento, porque o volume “empurra” a pele de volta para cima. Já as boxcar e ice pick (bordas mais retas, profundas e estreitas) tendem a precisar de estratégias combinadas, como subcisão ou laser — é essa variação de padrão, e não um protocolo único, que define o plano de tratamento mais indicado em cada caso.
Como foi feito o estudo de 2 anos
O estudo de dois anos comparou diretamente o preenchimento com ácido hialurônico contra placebo (soro fisiológico) no mesmo rosto, usando um desenho considerado padrão-ouro para esse tipo de pesquisa. Foram 15 pacientes (11 mulheres e 4 homens, entre 26 e 59 anos) com cicatrizes atróficas de acne no rosto, principalmente dos tipos rolling e boxcar.
Para garantir uma comparação justa, os pesquisadores dividiram o rosto de cada paciente ao meio: um lado recebeu o preenchedor de ácido hialurônico de alta reticulação, aplicado com microinjeções superficiais, e o outro lado recebeu apenas soro fisiológico. Nem o paciente nem o avaliador que analisava as fotos sabiam qual lado havia recebido o quê — um desenho duplo-cego que dá mais confiabilidade ao resultado. Depois de 120 dias, o lado placebo também passou a receber o preenchedor de verdade, e todos foram acompanhados até completar dois anos (720 dias), com uma última avaliação no dia 810. Um dos pacientes teve a evolução documentada por escaneamento 3D da pele — é essa análise que aparece na imagem abaixo, comparando o antes e o depois.

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Resultados: quanto a cicatriz melhorou
Os resultados do estudo mostraram melhora consistente e duradoura no lado tratado com ácido hialurônico. Usando uma escala validada de gravidade de cicatrizes (a QGSGS), a redução foi de cerca de -7,2 a -7,8 pontos em relação ao início do tratamento, com diferença estatisticamente muito significativa frente ao lado placebo.
No paciente acompanhado por escaneamento 3D, a redução do volume das cicatrizes chegou a 87,8% aos 120 dias — e esse resultado se manteve praticamente igual até o dia 810 (mais de dois anos), sem nenhuma reaplicação do produto. Do total de pacientes que completaram o estudo, 92% relataram melhora visível na avaliação estética global, descrevendo o resultado como natural.
Um detalhe chama atenção: mesmo o lado placebo mostrou alguma melhora inicial, efeito conhecido de hidratação e do estímulo mecânico da agulhada — mas bem menor que a do lado tratado com o preenchedor de verdade, o que reforça que o benefício vem do produto, não apenas da agulha.
Segurança e efeitos colaterais
A segurança do preenchimento para cicatriz de acne foi um dos pontos fortes do estudo: os efeitos adversos relatados — vermelhidão, inchaço leve e sensibilidade no local — foram todos leves, surgiram nos primeiros dias e desapareceram em até 30 dias. Não houve nenhum caso de reação tardia, granuloma ou infecção ao longo de dois anos de acompanhamento, o que é um dado relevante numa área da pele naturalmente mais sensível e com histórico de inflamação.
Ainda assim, vale contextualizar os limites da evidência. A amostra foi pequena — 15 pacientes, em um único centro nos Estados Unidos — e o estudo recebeu financiamento do fabricante do preenchedor testado (Allergan), o que pede cautela antes de generalizar os números. Um perfil de segurança bom em estudo controlado também não substitui a avaliação individual: técnica, produto e profundidade de aplicação continuam dependendo da experiência de quem realiza o procedimento.
O que a ciência recente acrescenta sobre preenchimento para cicatriz de acne
Antes de chegar aos dois anos de acompanhamento, esse mesmo grupo de pesquisadores já havia publicado, em 2022 na revista Journal of Cosmetic Dermatology, os resultados iniciais desse ensaio — avaliação em 90 e 120 dias. O achado central se repete: pela escala GAIS (avaliação global de melhora estética), o lado tratado com ácido hialurônico teve melhora superior e estatisticamente significativa frente ao placebo já nas primeiras semanas, com menos desconforto do que os pacientes esperavam.
O que o acompanhamento de dois anos acrescenta a esse achado inicial é a durabilidade: mostrar que uma melhora que aparece rápido não é passageira e se mantém estável sem precisar de reaplicação — algo raro de se comprovar em pesquisa sobre cicatriz de acne. Ainda assim, não vale transformar o resultado em promessa fechada: é uma única linha de pesquisa, com amostra pequena, um centro e um produto específico testados — evidência de que a estratégia é plausível e promissora, não garantia de resultado. Cada caso responde de um jeito, e isso só a avaliação presencial consegue prever.
Para quem o preenchimento é indicado
O preenchimento para cicatriz de acne com ácido hialurônico costuma ser mais indicado para cicatrizes do tipo rolling — mais rasas, arredondadas e maleáveis — que respondem melhor ao simples preenchimento de volume do que as boxcar mais profundas e de bordas rígidas. Nesses casos mais rígidos, a combinação com outras técnicas, como subcisão para soltar as bandas de fibrose antes do preenchimento, costuma trazer resultado melhor do que qualquer procedimento isolado.
Cada cicatriz de acne tem um padrão diferente de profundidade, textura e tipo de pele — por isso a escolha do protocolo depende sempre de avaliação presencial com dermatologista. Quem já pesquisou sobre preenchimento com ácido hialurônico para outras áreas do rosto sabe que a técnica muda conforme a região e o objetivo — na cicatriz de acne, a lógica é a mesma: personalização, não fórmula pronta.
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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.
Perguntas frequentes (FAQ)
O preenchimento para cicatriz de acne funciona?
Em um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 15 pacientes acompanhados por dois anos, o lado do rosto tratado com ácido hialurônico apresentou redução de até 87,8% no volume das cicatrizes já em 120 dias, resultado que se manteve estável até o dia 810, sem reaplicação. Do total de pacientes, 92% relataram melhora visível. É um dado consistente, mas a amostra do estudo foi pequena e a indicação depende sempre de avaliação médica individual.
Quanto tempo dura o efeito do preenchimento em cicatriz de acne?
No estudo citado, o resultado obtido aos 120 dias se manteve praticamente igual até o dia 810 (mais de dois anos), sem necessidade de reaplicação. Essa durabilidade é diferente do preenchimento facial convencional, que costuma precisar de manutenção periódica — possivelmente porque, na cicatriz, o preenchedor também estimula a produção de colágeno local ao longo do tempo.
O preenchimento pode piorar a cicatriz de acne?
No estudo, os efeitos adversos foram leves e transitórios — vermelhidão, inchaço e sensibilidade no local, que desapareceram em até 30 dias — e não houve nenhum caso de granuloma, infecção ou reação tardia em dois anos de acompanhamento. Ainda assim, a segurança depende muito da técnica de aplicação e da experiência de quem realiza o preenchimento, especialmente numa pele que já teve inflamação por acne.
Preenchimento substitui outros tratamentos como laser e subcisão?
Não necessariamente. O preenchimento com ácido hialurônico funciona melhor em cicatrizes do tipo rolling, mais rasas e maleáveis. Cicatrizes mais profundas ou de bordas rígidas, como boxcar e ice pick, respondem melhor a uma combinação de técnicas — subcisão para liberar as bandas de fibrose, laser para remodelação de colágeno, e o preenchimento como complemento. A conduta ideal é sempre definida caso a caso pelo dermatologista.
Quantas aplicações de preenchimento são necessárias para cicatriz de acne?
No estudo, os pacientes receberam uma única sessão de preenchimento com ácido hialurônico e o resultado se manteve por dois anos, sem reaplicação. Na prática clínica, o número de sessões pode variar conforme a profundidade e o tipo da cicatriz, a quantidade de produto necessária e a resposta individual — é a avaliação presencial que define o protocolo mais adequado.
Referências científicas
- Siperstein R, Nestor E, Meran S. Hyaluronic Acid Filler for the Improvement of Atrophic Facial Scars up to 2 Years. Dermatologic Surgery, 2024. DOI: 10.1097/DSS.0000000000004315. Disponível em PMC (acesso aberto).
- Siperstein R, Nestor E, Meran S, Grunebaum L. Split-face, blind, randomized placebo-controlled trial of hyaluronic acid filler for atrophic facial scars. Journal of Cosmetic Dermatology, 2022. DOI: 10.1111/jocd.15153. Disponível em PMC (acesso aberto).