Peeling químico para cicatriz de acne: o que a ciência diz sobre ácido glicólico e TCA

Peeling químico para cicatriz de acne é uma das indicações mais buscadas por quem já tentou de tudo para suavizar aquelas marcas atróficas — as “afundadas” — que a acne costuma deixar na pele. Entre as opções mais estudadas estão o ácido glicólico e o ácido tricloroacético (TCA), e um estudo publicado em 2024 no Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery comparou os dois lado a lado, no mesmo rosto de cada paciente, ajudando a entender qual entrega mais resultado — e a que custo em tempo de recuperação.

Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-09.

O que é o peeling químico e por que ele entra no tratamento de cicatriz de acne

O peeling químico é a aplicação controlada de um ácido sobre a pele para provocar uma esfoliação programada, estimulando a renovação celular e a produção de colágeno. É esse mecanismo — remodelar a camada superficial ou intermediária da pele — que faz do peeling uma das ferramentas usadas dentro do tratamento de cicatriz de acne, especialmente nas cicatrizes atróficas (aquelas marcas “afundadas” que sobram depois de uma acne inflamatória).

Nem todo ácido age da mesma forma. O ácido glicólico é um alfa-hidroxiácido (AHA) de ação mais superficial, que afina a camada córnea e melhora textura de forma gradual. Já o TCA é um ácido de profundidade intermediária, que coagula proteínas da pele e provoca uma renovação mais intensa — por isso costuma ser associado a resultados mais evidentes, mas também a mais tempo de recuperação. Entender essa diferença de profundidade é o ponto de partida para decidir qual faz mais sentido em cada caso.

O estudo que comparou ácido glicólico e TCA lado a lado

O estudo comparou diretamente o ácido glicólico a 70% com o TCA a 30% em 30 pacientes com cicatrizes atróficas de acne, atendidos em um centro de dermatologia de Delhi, na Índia. Publicado em 2024 no Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery, teve um desenho inteligente: em cada paciente, um lado do rosto recebeu o peeling de ácido glicólico e o outro lado recebeu o peeling de TCA — quatro sessões, com intervalo de quatro semanas, e avaliação até 16 semanas após o início do tratamento.

Esse desenho “split-face” (metade do rosto para cada ácido) é uma vantagem metodológica importante: como o próprio paciente serve de comparação para si mesmo, fatores como tipo de pele, idade e hábitos ficam neutralizados, deixando o resultado mais confiável do que comparar grupos diferentes de pacientes. A evolução das cicatrizes foi medida por uma escala validada de gravidade, a GBASG (Goodman and Baron’s Acne Scarring Grading System), e também por avaliação fotográfica feita por um avaliador que não sabia qual lado do rosto havia recebido qual ácido.

peeling químico para cicatriz de acne
Figura ilustrativa de artigo científico (comparação split-face: hemiface tratada com ácido glicólico 70% e hemiface tratada com TCA 30%, antes e após 4 sessões) — não é promessa de resultado individual, a resposta ao tratamento varia por paciente, conforme Resolução CFM 2.336/2023. Fonte: Manjhi M, Sagar V, Yadav P, Dabas G, Gupta A, Pratap P. Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery, 2024;17(3):227–233. DOI: 10.25259/jcas_117_23. Disponível em PMC.

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Resultados: qual ácido melhorou mais as cicatrizes

Os dois ácidos melhoraram as cicatrizes, mas o TCA a 30% teve desempenho superior. Na escala GBASG, o lado tratado com TCA caiu de um escore médio de 13,2 para 6,8 ao final do estudo — uma redução de quase metade —, enquanto o lado do ácido glicólico foi de 12,7 para 9,0, uma melhora mais discreta. Na avaliação fotográfica feita às cegas, o TCA produziu resultado classificado como “acentuado” em metade dos pacientes, contra apenas 7% no lado do ácido glicólico.

A percepção dos próprios pacientes seguiu a mesma direção: houve mais satisfação relatada com o lado do rosto tratado com TCA. Vale ler esse número com calma — uma redução de quase 50% num escore de gravidade é expressiva e visível, mas está longe de significar “cicatriz zerada”. O objetivo realista de um peeling bem indicado é reduzir a marca de forma controlada e progressiva, não apagá-la de uma sessão só.

Segurança e efeitos colaterais de cada peeling

A eficácia maior do TCA veio acompanhada de mais efeitos colaterais temporários. O lado tratado com TCA teve mais ressecamento (40% contra 17% no lado do ácido glicólico) e, principalmente, muito mais formação de crostas após a aplicação (67% contra 10%). Ou seja, o TCA exige mais tempo de recuperação e cuidados pós-peeling — o que é esperado, já que se trata de um peeling de profundidade intermediária, enquanto o glicólico é mais superficial. Nenhum efeito grave ou definitivo foi relatado nos dois grupos; segundo os autores, todos os efeitos foram temporários e controláveis com tratamento tópico.

Esse tipo de peeling faz parte de um leque maior de peelings estéticos com dermatologista, e a escolha da profundidade certa — superficial, médio ou profundo — é o que equilibra resultado e segurança, principalmente em peles mais morenas, que exigem mais cautela pelo risco de manchas reativas.

Para quem o peeling químico é indicado

O peeling químico para cicatriz de acne costuma ser indicado para quem tem cicatrizes atróficas leves a moderadas e busca uma opção com respaldo científico, seja isolada ou combinada a outras técnicas. Não existe “o melhor ácido” de forma absoluta — existe o mais adequado para o tipo de cicatriz, o tipo de pele e a rotina de cada paciente. O TCA tende a entregar mais resultado por sessão, mas pede mais tempo parado e cuidado redobrado com manchas; o glicólico é uma opção mais suave, com menos tempo de recuperação, para quem prefere evolução mais gradual ou tem pele mais sensível.

Essa decisão — inclusive a concentração ideal do ácido — precisa ser sempre definida em avaliação presencial com o dermatologista, que vai considerar o fototipo, a profundidade das marcas e o histórico de cicatrização de cada pessoa antes de indicar qualquer uma das opções de tratamento de cicatriz de acne.

O que a ciência recente acrescenta sobre peeling químico para cicatriz de acne

Durante muito tempo, a comparação entre ácido glicólico e TCA para cicatriz de acne se apoiou mais na experiência clínica do que em comparação direta e controlada. O diferencial desse estudo de 2024 é justamente o desenho split-face: ao tratar os dois lados do mesmo rosto com ácidos diferentes, os pesquisadores reduziram variáveis de confusão (como diferenças de pele entre pacientes) e conseguiram apontar, com mais segurança, que o TCA a 30% supera o ácido glicólico a 70% em eficácia — só que às custas de mais tempo de recuperação.

Para quem está decidindo entre os dois, isso muda a conversa: não é mais só “qual ácido é mais forte”, mas um cálculo real entre ganho de resultado e tolerância ao tempo de crosta e vermelhidão. Para a prática clínica, o estudo reforça que a escolha do ácido deveria considerar não só a gravidade da cicatriz, mas a rotina e a disponibilidade do paciente para o pós-peeling.

Ainda assim, é importante ler esse dado com os pés no chão. A amostra foi pequena (30 pessoas), o estudo foi conduzido em um único centro e o acompanhamento após o fim do tratamento foi relativamente curto — o que significa que resultados a longo prazo, e em outros perfis de pele, ainda merecem mais pesquisa. Nenhum estudo isolado, por bem desenhado que seja, substitui a avaliação individual feita por um médico.

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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.

Perguntas frequentes (FAQ)

Peeling químico para cicatriz de acne funciona?

Em um estudo clínico com 30 pacientes, comparando os dois lados do mesmo rosto, o peeling de TCA a 30% reduziu a gravidade das cicatrizes de acne em quase metade (de 13,2 para 6,8 numa escala validada), superando o ácido glicólico a 70% (de 12,7 para 9,0). É um resultado promissor, mas nenhum peeling “apaga” a cicatriz por completo — o objetivo é reduzir a marca de forma progressiva, e a indicação depende sempre de avaliação médica individual.

Qual a diferença entre o peeling de ácido glicólico e o de TCA para cicatriz de acne?

O ácido glicólico age de forma mais superficial, com esfoliação gradual e menos tempo de recuperação. O TCA atua numa profundidade intermediária, coagulando proteínas da pele, o que costuma trazer resultado mais evidente por sessão — mas também mais ressecamento e formação de crostas no pós-peeling. A escolha entre os dois depende do tipo de cicatriz, do fototipo de pele e da disponibilidade do paciente para o período de recuperação.

Quantas sessões de peeling são necessárias para cicatriz de acne?

No estudo citado, foram realizadas 4 sessões, com intervalo de 4 semanas entre elas, tanto para o ácido glicólico quanto para o TCA. Na prática, porém, o número de sessões varia conforme a profundidade e a extensão das cicatrizes, o fototipo da pele e a resposta individual ao tratamento. É o dermatologista quem define, na avaliação, o protocolo mais adequado para cada pessoa.

O peeling de TCA dói mais e demora mais para recuperar do que o de ácido glicólico?

No estudo, o lado tratado com TCA apresentou mais ressecamento (40% contra 17%) e muito mais formação de crostas (67% contra 10%) do que o lado tratado com ácido glicólico. Isso significa um pós-peeling mais incômodo e um tempo de recuperação maior com o TCA, embora nenhum efeito grave ou permanente tenha sido relatado em nenhum dos dois grupos.

O peeling químico substitui outros tratamentos para cicatriz de acne?

Não necessariamente. O peeling químico é uma das ferramentas dentro de uma estratégia de tratamento de cicatriz de acne, que pode incluir também outras técnicas conforme o tipo de marca. Ele costuma ser indicado de forma isolada ou combinada, e a conduta ideal — inclusive se vale a pena associar mais de uma abordagem — é sempre definida caso a caso pelo médico.

Referências científicas

  • Manjhi M, Sagar V, Yadav P, Dabas G, Gupta A, Pratap P. A Comparative Study of 70% Glycolic Acid and 30% Trichloroacetic Acid Peel in the Treatment of Facial Atrophic Acne Scars: A Split-face Study. Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery. 2024;17(3):227–233. DOI: 10.25259/jcas_117_23. Disponível em PMC (acesso aberto).
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Informações sobre acne e cicatrizes para pacientes. Disponível em sbd.org.br.