Cicatriz de acne tem tipo? Entenda icepick, boxcar e rolling — e por que isso muda o tratamento
Tipos de cicatriz de acne existem, sim — pelo menos três, e conhecê-los é o primeiro passo antes de escolher qualquer tratamento. Nem toda marca deixada pela acne no rosto é igual: dermatologistas classificam as cicatrizes em três formatos principais, conhecidos como icepick, boxcar e rolling, cada um com profundidade, largura e causa diferentes. Essa classificação não é só um detalhe técnico — ela é o que define se o caminho certo passa por laser, subcisão, preenchedor ou uma combinação de técnicas.
Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-09.
Sumário: Assuntos Abordados
- Cicatriz de acne tem tipo? As três classificações principais
- Cicatriz icepick: pequena, profunda e em forma de V
- Cicatriz boxcar: bordas demarcadas, profundidade que muda tudo
- Cicatriz rolling: a mais larga, com aspecto ondulado
- Por que o tipo de cicatriz muda o tratamento
- O que a ciência recente acrescenta sobre os tipos de cicatriz de acne
- Perguntas frequentes
Cicatriz de acne tem tipo? As três classificações principais
Sim, a cicatriz de acne tem tipo — e a classificação mais usada por dermatologistas e cirurgiões plásticos reconhece três formatos principais: icepick, boxcar e rolling. Um estudo de consenso publicado em 2024 na revista científica Cureus, reunindo um painel de especialistas com pelo menos 20 anos de experiência cada, organizou de forma prática essa classificação e por que ela é o primeiro passo antes de montar qualquer plano de tratamento.
Quem já teve acne no rosto costuma ouvir a mesma frase do dermatologista: “a cicatriz que você tem não é igual à do seu amigo”. Isso não é conversa fiada — cada formato se comporta de um jeito diferente na hora de responder a laser, subcisão, preenchedor ou peeling.
Cicatriz icepick: pequena, profunda e em forma de V
A cicatriz icepick (em “picador de gelo”) é estreita — menos de 2 mm de largura —, profunda e com bordas bem demarcadas, formando um sulco em forma de “V” que desce até a derme profunda ou até o tecido mais abaixo da pele. É aquele tipo de marquinha pequena, quase um furo, que parece um poro muito dilatado à primeira vista, mas que na verdade é um túnel estreito e fundo.
Por ser tão profunda e estreita, o consenso de especialistas aponta que ela é difícil de tratar só com procedimentos de resurfacing (laser de superfície, peeling): as opções que costumam funcionar melhor envolvem técnicas que atingem o fundo da lesão, como excisão por punch e a técnica CROSS (aplicação pontual de ácido em alta concentração dentro do sulco), além de laser fracionado ablativo.
Cicatriz boxcar: bordas demarcadas, profundidade que muda tudo
A cicatriz boxcar (em “caixa”) também tem bordas verticais bem demarcadas, mas é mais larga do que a icepick e tem formato de “U” — não afunila até um ponto no fundo, é mais como uma depressão de base achatada. Aqui a profundidade é o que muda tudo.
Boxcars mais rasas costumam responder bem a procedimentos de resurfacing, como laser, microagulhamento e peelings, enquanto boxcars mais profundas são mais resistentes a esse tipo de tratamento superficial isolado e pedem uma abordagem combinada, com técnicas que trabalhem também a camada mais profunda da pele.
Cicatriz rolling: a mais larga, com aspecto ondulado
A cicatriz rolling (ondulada) costuma ser a mais larga das três — pode chegar a 5 mm ou mais de diâmetro — e tem um aspecto ondulado, em forma de “M”, porque a causa não é um sulco vertical, e sim uma fibrose que “puxa” a derme para baixo, colando-a ao tecido mais profundo.
É por isso que o tratamento da rolling precisa agir no nível subdérmico: a subcisão (para romper essa fibrose que está puxando a pele), a dermoabrasão e os preenchedores costumam ser as estratégias mais indicadas, muitas vezes combinadas. Quando o plano envolve devolver volume à área tratada, bioestimuladores de colágeno também entram como recurso complementar, dentro da avaliação de cada caso — para entender melhor essa frente, vale conhecer a aplicação de bioestimuladores de colágeno.
Não sabe se a sua marca é icepick, boxcar ou rolling — ou se tem uma mistura dos três? Isso só se define com avaliação do seu caso.
Por que o tipo de cicatriz muda o tratamento
Na prática, isso significa que “tratar cicatriz de acne” não é um procedimento único — é uma combinação personalizada, montada depois que o dermatologista identifica qual tipo (ou mistura de tipos) predomina no seu rosto. Uma pessoa pode ter icepick na bochecha e rolling na mandíbula ao mesmo tempo, e cada área pode precisar de uma técnica diferente dentro do mesmo plano.
Por isso a avaliação presencial é o ponto de partida: só ela mapeia os tipos de cicatriz presentes e desenha a combinação de procedimentos adequada, dentro de um plano de tratamento de cicatriz de acne pensado individualmente. Subcisão, CROSS, microagulhamento e laser fracionado são exemplos de técnicas específicas por tipo, e esses detalhes de protocolo fazem parte do que a avaliação do nosso time define junto com você.
O que a ciência recente acrescenta sobre os tipos de cicatriz de acne
Em 2024, a revista científica Cureus publicou um documento de consenso chamado “Practical Aspects of Acne Scar Management: ASAP 2024”, reunindo um painel de dermatologistas e cirurgiões plásticos indianos com pelo menos 20 anos de experiência cada, em discussões realizadas ao longo de quatro encontros entre março e julho de 2023. O objetivo foi organizar, de forma prática, como reconhecer os tipos de cicatriz de acne e como isso deve orientar a escolha do tratamento.
O documento reafirma a classificação morfológica em icepick, boxcar e rolling — já consolidada na literatura — e detalha, para cada subtipo, quais técnicas tendem a funcionar melhor: excisão por punch e CROSS para icepick; resurfacing para boxcars rasas e abordagem combinada para as mais profundas; e subcisão, dermoabrasão e preenchedores para rolling. Isso importa para o paciente porque confirma, com respaldo de especialistas, que não existe “um tratamento” para cicatriz de acne — existe um raciocínio de classificação que precisa vir antes de qualquer procedimento.
Vale situar os limites dessa evidência: é um documento de consenso de especialistas — reúne a experiência prática de um painel de médicos, não um ensaio clínico comparando tratamentos entre si — e os próprios autores destacam que ainda não existe diretriz única e definitiva para o manejo da cicatriz de acne, dada a quantidade de variáveis envolvidas (tipo de pele, tipo de cicatriz, extensão). O consenso funciona como mapa geral; a decisão final sobre técnica e protocolo continua dependendo da avaliação individual.
Se você se identificou com algum desses tipos de cicatriz de acne, chame agora no WhatsApp — nosso time analisa o seu caso com calma.
Atendimento em São Paulo e Osasco
Temos ambulatório especializado no tratamento de cicatriz de acne — agende sua avaliação com a nossa equipe. A Injectors mantém ambulatórios especializados em diversas áreas e laser para o tratamento de diversas patologias.
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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quais são os tipos de cicatriz de acne?
Existem três tipos de cicatriz de acne reconhecidos pela literatura dermatológica: icepick (estreita, profunda, formato de “V”), boxcar (bordas retas e verticais, formato de “U”, com profundidade variável) e rolling (a mais larga, com aspecto ondulado em “M”, causada por fibrose que puxa a derme para baixo). É comum uma mesma pessoa ter mais de um tipo presente em áreas diferentes do rosto, o que reforça a importância de uma avaliação individual antes de definir o tratamento.
Qual é a cicatriz de acne mais difícil de tratar?
Não existe resposta única, mas a icepick costuma ser considerada uma das mais desafiadoras, por ser estreita e profunda ao mesmo tempo — laser ou peeling isolados tendem a não alcançar o fundo do sulco. Boxcars profundas e rollings extensas também podem exigir combinação de técnicas. O grau de dificuldade real só é definido no exame clínico.
Dá para ter mais de um tipo de cicatriz de acne ao mesmo tempo?
Sim, isso é comum. Uma pessoa pode ter icepick em uma região do rosto e rolling em outra, por exemplo. Por isso o plano de tratamento costuma combinar mais de uma técnica, cada uma direcionada ao tipo predominante naquela área, a partir do mapeamento feito na avaliação com o dermatologista.
O tratamento de cicatriz de acne dói?
O desconforto varia conforme a técnica — subcisão, laser, CROSS e preenchedores têm sensações diferentes — e a maioria dos procedimentos usa anestesia local ou tópica para reduzir o incômodo. A experiência é individual, e o profissional pode ajustar a abordagem para deixá-la mais confortável, conforme conversado na consulta.
Cicatriz de acne tem cura definitiva?
Não existe promessa de eliminação total — o objetivo realista dos tratamentos é melhora visível da textura e da profundidade da marca, não o apagamento completo. Como a resposta depende do tipo de cicatriz, da pele e da combinação de técnicas usada, o resultado esperado deve ser discutido caso a caso na avaliação médica.
Referências científicas
- Tahiliani S, Mysore V, Ganjoo A, et al. Practical Aspects of Acne Scar Management: ASAP 2024. Cureus. 2024;16(3):e55897. DOI: 10.7759/cureus.55897. Consenso de especialistas sobre manejo de cicatriz de acne (PMC, acesso aberto).