Cirurgia Vascular · Escleroterapia

Escleroterapia para Varizes e Vasinhos: Como Funciona e Quando é Indicada

A escleroterapia para varizes e vasinhos é a injeção de uma substância que irrita a parede do vaso até ele fechar e ser reabsorvido pelo corpo. É o tratamento de referência para vasinhos (telangiectasias), microvarizes e veias reticulares das pernas. O detalhe que muda o resultado não é só o agente injetado, mas a avaliação vascular antes: sem mapear a veia que alimenta o vaso, ele tende a voltar.

Revisão científicaDr. Claudio Wulkan
RegistroCRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944
Atendimento atualDra. Camila Oba — CRM-SP 122.113 · Cirurgia Vascular e Endovascular (residência HC-USP)
Consultoria históricaDr. Rodrigo Kikuchi — CRM-SP 103.181 (cirurgião vascular, hoje dedicado ao ensino médico)
Atualizado11/07/2026
Também emClínica Wulkan

Resumo e introdução ao tema

A escleroterapia para varizes fecha o vaso de dentro para fora: uma substância esclerosante é injetada com microagulha, irrita a parede da veia, que se contrai e é reabsorvida em semanas. Funciona muito bem em vasinhos e microvarizes, geralmente exige mais de uma sessão e pode ser combinada com laser. O resultado depende menos do “produto mágico” e mais da avaliação vascular com ultrassom Doppler que identifica a veia nutridora por trás do vaso visível.

Escleroterapia para varizes: microvarizes e telangiectasias na perna antes do tratamento
Vasinhos e microvarizes: alvos típicos da escleroterapia, tratados conforme calibre e origem do refluxo.

Definição

O que é a escleroterapia

A escleroterapia para varizes é um procedimento em que se injeta, com microagulhas, uma solução química dentro do vaso a ser tratado. Essa solução provoca uma irritação controlada na parede da veia, que se contrai e fecha; o sangue deixa de circular por ali e o vaso é lentamente reabsorvido pelo organismo. Como o local tratado deixa de encher, novas telangiectasias tendem a não se formar naquele ponto.

É importante entender que “secar vasos” é uma simplificação. Cada perna tem uma rede venosa própria, e o que aparece na pele muitas vezes é alimentado por uma veia reticular ou por um segmento de safena com refluxo. Por isso a escleroterapia bem-feita começa com avaliação vascular, tema aprofundado na página principal de tratamento de varizes e vasos das pernas.

Agentes

Agentes esclerosantes: glicose, espuma e polidocanol

Os agentes esclerosantes mais usados na escleroterapia para varizes são a glicose hipertônica (50% a 75%), o polidocanol (líquido ou em espuma), a espuma esclerosante e a crioescleroterapia, em que o esclerosante é resfriado para aumentar a eficácia e reduzir o desconforto. A escolha depende do calibre do vaso, da resposta esperada e do perfil de cada paciente.

A espuma esclerosante é especialmente útil em veias de maior calibre, onde a forma líquida tende a ser menos eficaz, porque a espuma desloca o sangue e mantém contato prolongado com a parede da veia. Já a glicose hipertônica costuma ser escolhida para vasinhos mais finos. Cada agente tem vantagens e limites — não existe um único “melhor para todos”.

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Indicação

Escleroterapia ou laser: quando cada um

A escleroterapia para varizes costuma ser a melhor escolha para veias reticulares e microvarizes de calibre um pouco maior, enquanto o laser transdérmico tende a se destacar nos vasos mais finos e superficiais, abaixo de 1 mm. Não é uma disputa: na prática, os dois se complementam, e boa parte dos pacientes se beneficia da combinação na mesma sessão.

Essa combinação de laser seguido de escleroterapia é uma abordagem que aplicamos rotineiramente no ambulatório vascular. Para entender o lado do laser, veja a página sobre laser para vasinhos e varizes.

Sessões

Quantas sessões e o que esperar

A escleroterapia geralmente exige mais de uma sessão. Pode ser necessário repetir a aplicação de uma a seis vezes até o desaparecimento de cerca de 80% a 90% das lesões, dependendo da quantidade, do calibre e da profundidade dos vasos. Após cada sessão, os vasinhos podem ficar temporariamente mais escuros antes de clarearem, num processo que pode levar até duas semanas.

A dor durante a aplicação costuma ser mínima e passa logo após a sessão. O método permite retorno quase imediato às atividades de rotina, com exceção de exercícios físicos intensos nas primeiras 24 horas. O uso de meia de compressão e caminhadas leves logo após a sessão ajuda no resultado.

Evidência recente

O que a ciência recente mostra sobre os esclerosantes

Um ensaio clínico triplo-cego de referência comparou polidocanol em baixa concentração associado à glicose hipertônica contra a glicose isolada no tratamento de telangiectasias de perna. A combinação foi significativamente mais eficaz (82,2% contra 63,9% de sucesso) e a hiperpigmentação residual durou menos tempo no grupo que recebeu polidocanol. É um dado que ajuda a calibrar a expectativa: combinações bem indicadas tendem a render mais do que um agente isolado.

Uma revisão sistemática de 2023 sobre intervenções para telangiectasias e veias reticulares de perna reforça esse padrão — escleroterapia com espuma ou polidocanol tende a durar mais do que a glicose isolada, mas às custas de mais reações cutâneas, como manchas. Por isso a escolha do agente e da concentração é sempre individual, discutida caso a caso, e não definida por um protocolo único.

Segurança

Riscos e cuidados

A escleroterapia é segura quando bem indicada, mas nenhum procedimento é isento de riscos. A reação mais comum é a hiperpigmentação — manchas escurecidas no trajeto do vaso tratado —, cuja frequência aumenta com a concentração do esclerosante. A boa notícia, documentada em revisões recentes, é que a resolução costuma ser espontânea: cerca de 70% dos casos clareiam em até 6 meses e praticamente todos em até 1 ano. Outra reação possível é o “matting”, o surgimento de novos vasinhos muito finos na área tratada.

Para reduzir esses riscos, algumas recomendações práticas: evitar ácido acetilsalicílico na semana anterior; não depilar nem passar cremes na área imediatamente antes ou depois; caminhar após a sessão; manter compressão conforme orientação; e evitar sol direto na região tratada até o clareamento completo, para não fixar manchas.

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Investimento

Quanto custa a escleroterapia

O valor da escleroterapia para varizes depende do número de vasos, da quantidade de sessões, do agente usado e dos exames necessários — por isso não se fecha preço sem avaliação. Como referência informativa, sessões que incluem consulta, ultrassom Doppler, mapeamento com AccuVein ou VeinViewer e a aplicação costumam ficar entre R$ 600 e R$ 1.000, valor sempre detalhado na consulta com a equipe, nunca usado como chamariz.

Dúvidas

Perguntas frequentes

A escleroterapia para varizes resolve de vez?

A escleroterapia elimina os vasos tratados, mas novos vasinhos podem surgir com o tempo, sobretudo se houver refluxo não tratado por trás deles. Por isso a avaliação vascular com ultrassom Doppler antes do tratamento é decisiva para reduzir a chance de recidiva e planejar o acompanhamento.

Vale separar duas perguntas que costumam vir juntas. O vaso que foi tratado e fechou é reabsorvido pelo organismo e, em regra, não volta a se abrir — nesse sentido o resultado sobre aquele vaso é definitivo. O que continua existindo é a predisposição que o produziu: carga genética, variações hormonais, gestações, ganho de peso e rotina em pé seguem favorecendo o surgimento de vasos novos, em outros pontos da perna e ao longo dos anos.

Na prática, isso muda o desenho do tratamento. O mais comum é um ciclo inicial mais concentrado de sessões, para limpar o que já está ali, seguido de reavaliações espaçadas para tratar o que aparecer. Quem planeja engravidar, por exemplo, costuma receber orientação diferente de quem já concluiu esse ciclo, porque a gestação tende a produzir vasos novos. Esse horizonte é discutido na avaliação, junto com o mapeamento, para que a expectativa não seja de uma sessão única e final.

Quantas sessões de escleroterapia são necessárias?

Depende do tamanho, da quantidade e da profundidade dos vasos. Em geral, são necessárias de uma a seis aplicações para eliminar a maior parte das lesões. O número exato é estimado na avaliação inicial, junto com a técnica mais indicada para cada caso.

Dois fatores costumam pesar mais do que o número de vasos: a extensão que se pode tratar com segurança em uma única sessão e o intervalo necessário entre elas. Existe um limite prudente de volume de agente esclerosante por sessão, o que naturalmente divide pernas com muitas lesões em vários encontros. O intervalo habitual é de algumas semanas, tempo para o organismo reabsorver o que foi fechado e para a equipe avaliar a resposta real antes de decidir o passo seguinte.

Também é importante alinhar o tempo do resultado visível. O vaso não desaparece no dia: ele fecha, e depois é reabsorvido gradualmente ao longo de semanas a alguns meses. Julgar o resultado uma semana depois da aplicação leva à conclusão errada de que nada mudou. Por isso a contagem de sessões é uma estimativa feita na avaliação inicial e revista ao longo do caminho, e não um pacote fechado antes de examinar a perna.

Qual é o melhor agente esclerosante?

Não existe um agente melhor para todos. Glicose hipertônica, polidocanol, espuma e crioescleroterapia têm indicações diferentes conforme o calibre do vaso. Estudos recentes mostram que combinações bem indicadas tendem a ser mais eficazes que a glicose isolada, mas a escolha é individual.

Cada opção tem um perfil prático distinto. A glicose hipertônica não provoca reação alérgica, o que a torna conveniente em muitos casos, mas costuma arder mais durante a aplicação e é mais usada em vasos finos. O polidocanol tende a ser melhor tolerado e trabalha bem em calibres um pouco maiores. Transformado em espuma, o agente passa a deslocar o sangue de dentro da veia e ganha mais contato com a parede, o que aumenta a eficácia em veias mais grossas — e é justamente por isso que o uso de espuma pede indicação mais criteriosa.

Há ainda um detalhe que costuma passar despercebido: a concentração pesa tanto quanto a escolha do agente. O mesmo produto, mais diluído, serve para um capilar superficial, e mais concentrado, para uma veia reticular. Definir agente, concentração e volume por região é exatamente o trabalho técnico da escleroterapia para varizes, feito a partir do mapeamento com ultrassom Doppler e da resposta observada nas sessões anteriores.

A escleroterapia dói?

O desconforto costuma ser mínimo, semelhante a pequenas picadas, e passa logo após a sessão. Recursos como a crioescleroterapia ajudam a reduzir ainda mais o desconforto durante a aplicação.

O que mais muda a percepção é o agente e a região. A glicose hipertônica tende a ardor mais evidente nos primeiros segundos; o polidocanol, bem menos. Tornozelo, dorso do pé e face interna da coxa são naturalmente mais sensíveis do que a lateral da coxa e a panturrilha. A quantidade de punções na mesma sessão também conta, e é mais um motivo para distribuir o trabalho ao longo de vários encontros em pernas com muitos vasos.

Nas horas seguintes é comum sentir ardência leve, coceira ou pequenas cãibras, e notar pontos endurecidos ao longo do trajeto dos vasos tratados, que amolecem nas semanas seguintes. Nada disso costuma tirar ninguém da rotina. O que não é esperado — dor forte e progressiva, aumento de volume na perna, vermelhidão que se espalha — deve ser comunicado à equipe, porque foge do curso normal e pede reavaliação.

Posso trabalhar no mesmo dia da escleroterapia?

Sim. O método permite retorno quase imediato às atividades de rotina, com exceção de exercícios físicos intensos nas primeiras 24 horas. Caminhar após a sessão, inclusive, é recomendado.

As orientações que realmente costumam mudar o resultado são outras: usar a meia de compressão pelo tempo combinado, caminhar ao longo do dia em vez de ficar muito tempo parada de pé ou sentada, e proteger a área tratada do sol e do calor intenso nas primeiras semanas. Sol sem proteção, sauna, banho muito quente e depilação com cera quente favorecem a hiperpigmentação — a marca acastanhada temporária que pode surgir sobre o trajeto do vaso tratado.

Essa lista muda de pessoa para pessoa. Quem vai pegar um voo longo nos dias seguintes, quem trabalha em pé o dia inteiro ou quem tem histórico de trombose recebe recomendações específicas, e é isso que a equipe entrega por escrito no dia da sessão. Vale seguir aquela orientação individual, que considera a técnica usada e a extensão tratada, em vez de uma regra geral encontrada na internet.

Referências

Referências científicas

As referências abaixo contextualizam a seção científica desta página, sem transformar achados de estudo em promessa de resultado individual.

  1. Vieira Ramos et al. — Ensaio triplo-cego polidocanol + glicose vs. glicose isolada (PG3T), EJVES 2020
  2. Revisão sistemática de intervenções para telangiectasias e veias reticulares, EJVES 2023
  3. Bossart et al. — Hiperpigmentação após escleroterapia com polidocanol: revisão sistemática, JEADV 2023

Atendimento

Atendimento em São Paulo e Osasco

Temos ambulatório especializado em escleroterapia e laser para varizes e vasos das pernas. A avaliação é feita pela nossa equipe, com mapeamento vascular individual antes de qualquer indicação.

WhatsApp: +55 11 96770-2768

Unidade São Paulo — Jardim PaulistaAlameda Joaquim Eugênio de Lima, 1674 — CEP 01403-002.
Seg. a sex. 8h30–19h · sáb. 9h–13h.
Unidade Osasco — CentroRua Avelino Lopes, 100 — CEP 06090-030.
Seg. a sex. 8h–18h · sáb. 9h–13h. Ambulatório vascular sediado nesta unidade.

A avaliação é individual e realizada por equipe médica. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.