Laser picosegundo para melasma: o que a ciência mostra
Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-04.
Sumário: Assuntos Abordados
O laser picosegundo para melasma é uma das tecnologias mais discutidas por quem convive com aquelas manchas acastanhadas no rosto que teimam em voltar. O melasma é uma condição crônica e notoriamente difícil de tratar: melhora, some por um tempo e reaparece com sol, calor ou variações hormonais. Nesse cenário, um estudo clínico recente colocou o laser picosegundo frente a frente com a hidroquinona — o tratamento tópico clássico para clareamento — e os resultados ajudam a entender o que essa tecnologia pode, de fato, oferecer. Se você ainda está mapeando as opções, vale conhecer todas as frentes do tratamento de melasma antes de decidir por uma tecnologia específica.
O que é o laser picosegundo e por que se fala dele no melasma
O laser picosegundo é um equipamento que emite pulsos de luz extremamente curtos — na casa dos trilionésimos de segundo — capazes de quebrar o pigmento (melanina) em partículas minúsculas, que o próprio organismo depois elimina. A ideia central é atingir o excesso de pigmento com muita velocidade e pouca geração de calor, o que, na teoria, é interessante para uma condição tão sensível a estímulos térmicos quanto o melasma.
O detalhe é que o melasma não é uma mancha comum. Ele envolve melanócitos hiperativos, alterações nos vasos e até na barreira da pele — por isso responde de forma imprevisível e recidiva com facilidade. Justamente por essa complexidade, o tratamento raramente é uma coisa só: costuma combinar cuidados diários, fotoproteção rigorosa e, quando indicado, procedimentos. É a mesma lógica de escolher a estratégia certa que aplicamos ao avaliar o melhor tratamento para melasma em cada rosto.
O que mostrou o estudo comparando laser e hidroquinona
O estudo comparou diretamente o laser picosegundo para melasma com a hidroquinona 2%, o clareador tópico de referência. Publicado em 2023 na revista Frontiers in Medicine, foi um ensaio clínico randomizado e com avaliador cego — desenho considerado robusto, porque quem media a melhora não sabia qual tratamento cada paciente havia recebido.
Ao todo, 60 pacientes (quase todos com melasma de longa data e pele mais pigmentada, fototipos III e IV) foram divididos em três grupos: laser Nd:YAG picosegundo de 1064 nm, laser de alexandrita picosegundo de 755 nm e creme de hidroquinona 2%. Os grupos de laser fizeram 3 sessões, com intervalo de 4 semanas; o grupo da hidroquinona aplicou o creme duas vezes ao dia por 12 semanas. A melhora foi medida pelo índice MASI (uma escala que quantifica a gravidade do melasma) ao longo de 24 semanas.
Vale destacar um ponto importante para expectativas: o objetivo de um laser bem indicado no melasma não é “apagar” a mancha de uma vez, mas reduzir o pigmento de forma controlada, sem agredir a pele a ponto de piorar. A figura abaixo, do próprio estudo, ilustra esse tipo de evolução gradual.

Quer saber se o laser picosegundo faz sentido para o seu tipo de melasma? Fale agora com nosso time.
Resultados: quanto o melasma clareou
Na semana 24, o laser Nd:YAG picosegundo (1064 nm) foi o que mais clareou o melasma, com redução de cerca de 35,9% no índice MASI — desempenho estatisticamente superior tanto ao laser de alexandrita 755 nm (cerca de 25,5%) quanto à hidroquinona 2% (cerca de 24%). Ou seja, no braço mais eficaz do estudo, o laser picosegundo superou o clareador tópico clássico.
É importante ler esse número com calma. Uma melhora de cerca de 36% em uma escala de gravidade é significativa e visível, mas está longe de significar “melasma zerado”. A satisfação dos pacientes acompanhou os resultados: o grupo do Nd:YAG picosegundo foi o mais satisfeito, seguido pela alexandrita e, por último, pela hidroquinona. Esse tipo de dado é útil para calibrar o que esperar — melhora consistente, e não milagre.
Outro ponto que o estudo reforça: nenhum tratamento eliminou o risco de recidiva. Houve reincidência do melasma em pacientes dos três grupos ao longo do acompanhamento. Isso confirma o que a prática mostra — no melasma, tão importante quanto o procedimento é o cuidado de manutenção que vem depois, tema que aprofundamos no conteúdo sobre melasma refratário (aquele que resiste aos tratamentos).
Segurança e efeitos colaterais
No estudo, os efeitos colaterais foram pouco frequentes e, na maioria, leves e transitórios. No grupo do laser Nd:YAG picosegundo, houve um caso de hiperpigmentação pós-inflamatória (aquele escurecimento reativo da pele) e um de recidiva, num total de dois eventos entre os 20 pacientes. A hiperpigmentação observada nos grupos de laser regrediu sozinha em um período de 1 a 6 meses.
Esse é um dado que merece atenção especial no melasma: a pele com melasma é reativa por natureza, e um estímulo mal calibrado pode escurecer em vez de clarear. Por isso, parâmetros conservadores, fototipo do paciente e a experiência de quem opera o equipamento pesam tanto quanto a tecnologia em si. Um laser potente na mão errada pode fazer mais mal do que bem — algo que reforçamos ao falar de laser para melasma de forma geral. Aliás, esse cuidado com o equipamento certo é o que sustenta serviços como o de aluguel de laser picosegundo para clínicas parceiras.
No grupo da hidroquinona, por outro lado, apareceram queixas de vermelhidão e coceira, além de um caso de clareamento excessivo (hipopigmentação) — lembrando que nenhum tratamento é isento de risco. Vale ainda destacar que esses resultados vêm de um único estudo, com número limitado de pacientes por grupo, o que pede cautela ao generalizar.
Para quem o laser picosegundo para melasma é indicado
O laser picosegundo para melasma pode ser uma opção para pessoas com melasma persistente que já tentaram tratamentos tópicos e buscam potencializar o clareamento, sempre dentro de uma estratégia mais ampla. Mas ele não é primeira linha nem tratamento isolado: o alicerce continua sendo a fotoproteção rigorosa e os cuidados diários, com o laser entrando como reforço em casos selecionados.
Cada melasma tem uma causa e um comportamento próprios — hormonal, solar, genético, ou uma combinação disso. Por isso, o exame presencial é o que define se o laser faz sentido para você, com quais parâmetros e combinado a quê. Muitas vezes a melhor resposta vem da associação de estratégias, como discutimos no conteúdo sobre ácido tranexâmico para melasma.
Antes de decidir por qualquer laser, vale conversar com quem entende de pele com melasma. Temos ambulatório especializado no tratamento do melasma com laser — agende sua avaliação.
Atendimento em São Paulo e Osasco
Temos ambulatório especializado no tratamento do melasma com laser — agende sua avaliação com a nossa equipe (inclusive avaliação online gratuita). A Injectors mantém ambulatórios especializados em diversas áreas e laser para diversas patologias.
WhatsApp: +55 11 96770-2768
Unidade São Paulo – Jardim Paulista: Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1674 — CEP 01403-002. Seg. a sex. 8h30–19h · sáb. 9h–13h.
Unidade Osasco – Centro: Rua Avelino Lopes, 100 — CEP 06090-030. Seg. a sex. 8h–18h · sáb. 9h–13h.
A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.
Perguntas frequentes (FAQ)
O laser picosegundo para melasma funciona?
Em um estudo clínico randomizado com 60 pacientes, o laser Nd:YAG picosegundo (1064 nm) reduziu o melasma em cerca de 35,9% na escala MASI, um resultado superior ao da hidroquinona 2% (cerca de 24%) e com bom perfil de segurança. É um dado promissor, mas o melasma é crônico e recidivante, então nenhum tratamento “cura” de forma definitiva. Só a avaliação médica pode indicar se o laser é adequado para o seu caso.
Quantas sessões de laser picosegundo são necessárias?
No estudo citado, foram realizadas 3 sessões de laser, com intervalo de 4 semanas entre elas. Na prática, porém, o número de sessões varia conforme o tipo e a intensidade do melasma, o fototipo da pele e a resposta individual. É o dermatologista quem define, na avaliação, o protocolo mais adequado para cada pessoa.
O laser para melasma pode piorar a mancha?
Sim, existe esse risco. A pele com melasma é reativa, e um estímulo mal calibrado pode causar hiperpigmentação pós-inflamatória, ou seja, escurecer em vez de clarear. Por isso, parâmetros conservadores e a experiência de quem realiza o procedimento são essenciais. No estudo, os poucos casos de escurecimento reativo regrediram sozinhos ao longo de 1 a 6 meses.
O laser substitui os cremes clareadores no melasma?
Não necessariamente. Embora o laser Nd:YAG picosegundo tenha superado a hidroquinona no estudo, os cuidados tópicos e a fotoproteção continuam sendo a base do tratamento do melasma. O laser costuma entrar como reforço em casos selecionados, dentro de uma estratégia combinada, e não como substituto isolado. A conduta ideal é definida caso a caso pelo médico.
Os resultados do laser picosegundo no melasma são permanentes?
Não. O melasma é uma condição crônica e recidivante, e no próprio estudo houve reincidência em pacientes de todos os grupos. Isso significa que, mesmo com boa resposta inicial, a mancha pode voltar com exposição solar, calor ou alterações hormonais. Por isso, a manutenção com fotoproteção rigorosa e acompanhamento é parte indispensável do tratamento.
Referências científicas
- Liang S, Shang S, Zhang W, et al. Comparison of the efficacy and safety of picosecond Nd:YAG laser (1,064 nm), picosecond alexandrite laser (755 nm) and 2% hydroquinone cream in the treatment of melasma: A randomized, controlled, assessor-blinded trial. Frontiers in Medicine (Lausanne). 2023;10:1132823. DOI: 10.3389/fmed.2023.1132823. Disponível em PMC (acesso aberto).
- Chehrara M, Tabavar A, Roohaninasab M, et al. The Efficacy of Laser Therapy in Melasma Treatment: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025;24(12):e70602. DOI: 10.1111/jocd.70602. Disponível em PMC (acesso aberto).
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Informações sobre melasma para pacientes. Disponível em sbd.org.br.