Ácido tranexâmico oral ou tópico para melasma: o que a ciência mostra

Revisão científica: Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · Dermatologista RQE 39944. Conheça o médico também na Clínica Wulkan.
Conteúdo revisado por médico especialista.
Atualizado em 2026-07-04.

Escolher entre ácido tranexâmico oral ou tópico para melasma é uma dúvida comum de quem convive com as manchas no rosto. O melasma é uma das condições mais frustrantes da dermatologia: teimoso, influenciado por sol e hormônios, e com tendência a voltar. O ácido tranexâmico entrou nesse cenário como um dos tratamentos mais promissores dos últimos anos — mas será que tomar em comprimido rende mais do que passar na pele? Um ensaio clínico publicado em 2025 colocou as duas formas frente a frente para responder exatamente isso.

O que é o ácido tranexâmico no melasma

O ácido tranexâmico é um medicamento originalmente usado para reduzir sangramentos, que se revelou útil também no melasma por interferir na cadeia que estimula a produção de pigmento na pele. Em termos simples, ele ajuda a “desligar” parte do sinal que faz os melanócitos (as células que produzem melanina) trabalharem em excesso, especialmente diante do sol e de estímulos hormonais.

No manejo do melasma, ele costuma entrar como um reforço a uma base de tratamento que sempre inclui fotoproteção rigorosa e cuidado diário. Existem duas rotas principais: o comprimido, que age pelo organismo como um todo, e a formulação tópica, aplicada diretamente na mancha. Cada uma tem sua lógica, e ambas fazem parte das estratégias modernas de melhor tratamento para melasma, sempre conduzidas por um médico. Ele também aparece como um dos pilares do tratamento de melasma quando o dermatologista monta um plano completo.

O que o estudo comparou (oral vs. tópico)

O estudo foi um ensaio clínico randomizado, publicado em 2025 no Journal of Cosmetic Dermatology, que comparou diretamente o ácido tranexâmico oral ou tópico para melasma em 50 mulheres. As participantes foram sorteadas em dois grupos de 25: um recebeu cápsulas de 250 mg por via oral, duas vezes ao dia; o outro usou um creme tópico a 5%, também duas vezes ao dia.

O tratamento durou 12 semanas, e todas as pacientes — dos dois grupos — usaram protetor solar FPS 60 reaplicado a cada 3 horas. Esse detalhe é importante: a fotoproteção intensa era comum aos dois lados, o que ajuda a isolar o efeito do próprio ácido tranexâmico. Para medir a evolução, os pesquisadores usaram o MASI, um índice que quantifica a extensão e a intensidade das manchas do melasma.

Randomizar e manter o mesmo protocolo de proteção solar dá mais peso à comparação. Ainda assim, foram 50 pacientes, todas mulheres, ao longo de 12 semanas — uma fotografia útil, mas que não substitui a decisão individualizada de cada caso.

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Os resultados: houve diferença?

A resposta curta é: as duas formas melhoraram o melasma, e a diferença entre elas não foi estatisticamente significativa. Ao fim das 12 semanas, o grupo oral teve redução de cerca de 58,9% no MASI, e o grupo tópico, de cerca de 50,9%. Cada grupo, isoladamente, melhorou de forma clara em relação ao início (p = 0,001).

O ponto-chave está na comparação direta entre os dois grupos ao final: o valor de p foi 0,97 — ou seja, estatisticamente não houve vencedor. Na prática, isso significa que, naquele estudo, tomar o comprimido não rendeu um resultado melhor do que passar o creme. Os dois caminhos chegaram a um clareamento parecido das manchas.

Esse tipo de achado é valioso porque muita gente assume que “engolir o remédio é mais forte”. Aqui, a via tópica alcançou uma melhora comparável, atuando localmente na mancha. É um resultado que dialoga com outras estratégias que também miram o melasma direto na pele, como o microagulhamento para melasma.

Segurança e efeitos colaterais

Ambas as formas foram bem toleradas no estudo, mas com perfis de efeito colateral diferentes — e é aí que a escolha começa a fazer diferença. No grupo oral, 4 pacientes (16%) relataram alteração menstrual (oligomenorreia), embora todas tenham completado o tratamento. No grupo tópico, 1 paciente abandonou por vermelhidão e coceira no local da aplicação.

Essa é uma distinção que pesa na prática: o ácido tranexâmico oral, por circular pelo corpo, tem contraindicações e exige triagem cuidadosa — histórico de trombose, uso de certos anticoncepcionais e outros fatores de risco precisam ser avaliados antes de qualquer prescrição. Já a forma tópica concentra o efeito na pele, o que tende a evitar repercussões sistêmicas, mas pode causar irritação local em algumas pessoas.

Por isso, nenhuma das duas vias é “de venda livre” para o melasma. A indicação, a dose e o acompanhamento são decisões médicas, tomadas caso a caso após avaliação — o mesmo cuidado criterioso que aplicamos em harmonização facial e em qualquer conduta que envolva a saúde da pele. A Skin Academy, escola parceira, também aborda o tratamento de melasma na formação de profissionais.

Como escolher entre oral e tópico

Como a eficácia foi parecida, a escolha entre ácido tranexâmico oral ou tópico para melasma tende a depender do perfil de cada paciente, e não de uma suposta superioridade de uma via sobre a outra. Os próprios autores concluíram que as duas formas são eficazes, com poucos efeitos colaterais, e que a decisão pode se basear em preferência e conveniência — sempre sob orientação médica.

Na prática do consultório, entram na conta fatores como contraindicações à via oral, sensibilidade da pele, adesão ao tratamento e como o melasma daquela pessoa se comporta. Em muitos casos, o ácido tranexâmico é só uma peça de um plano maior, que combina fotoproteção rigorosa e, às vezes, outras condutas para melasmas mais difíceis — como discutimos no conteúdo sobre melasma refratário. Vale também conhecer a comparação específica entre as vias no artigo sobre ácido tranexâmico para melasma.

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A avaliação é individual e realizada por médico. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta. O ácido tranexâmico é medicamento e seu uso exige prescrição e acompanhamento médico.

Perguntas frequentes (FAQ)

Ácido tranexâmico oral ou tópico para melasma: qual funciona melhor?

Em um ensaio clínico randomizado de 2025 com 50 mulheres, as duas formas funcionaram de maneira parecida: a oral reduziu o MASI em cerca de 58,9% e a tópica em cerca de 50,9%, sem diferença estatística entre elas (p = 0,97). Ou seja, nenhuma via se mostrou superior à outra naquele estudo, e a escolha depende do perfil de cada paciente. Como é um medicamento, só a avaliação de um dermatologista pode definir o que é adequado para você.

Quanto tempo leva para o ácido tranexâmico agir no melasma?

No estudo citado, o tratamento durou 12 semanas, com melhora progressiva das manchas ao longo desse período nos dois grupos. O melasma responde de forma gradual, e a fotoproteção rigorosa durante todo o tempo é parte essencial do resultado. O tempo e a resposta variam de pessoa para pessoa, por isso o acompanhamento médico é importante.

O ácido tranexâmico oral tem efeitos colaterais?

Pode ter. No estudo, 16% das pacientes do grupo oral relataram alteração menstrual, ainda que todas tenham completado o tratamento. Por circular pelo organismo, a forma oral tem contraindicações — como histórico de trombose — e exige triagem médica antes da prescrição. A forma tópica evita repercussões sistêmicas, mas pode causar irritação local. Por isso, nenhuma das duas deve ser usada por conta própria.

Posso comprar e usar ácido tranexâmico para melasma sem receita?

Não. O ácido tranexâmico é um medicamento, e tanto a forma oral quanto a tópica exigem prescrição e acompanhamento de um médico. A indicação depende de uma avaliação individual, que considera o tipo de melasma, o histórico de saúde e possíveis contraindicações. O uso sem orientação pode ser ineficaz ou até arriscado.

Referências científicas

  • Heidary B, Habibzadeh Meibodi GA, Ebrahimzadeh Ardakani M, Ramezani V, Heidari F. Randomized Clinical Trial on the Efficacy of Oral Tranexamic Acid Versus Topical Tranexamic Acid in Treatment of Melasma. J Cosmet Dermatol. 2025;24(9):e70428. Ler no PMC (PMC12418907).
  • Zhu CY, Li Y, Sun QN, Takada A, Kawada A. Efficacy of Oral, Topical, and Intradermal Tranexamic Acid in Patients with Melasma — A Meta-Analysis. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2024. Ler a meta-análise no PMC (PMC10810386).
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia — informações sobre melasma. sbd.org.br.